De repente, não mais do que de repente, como dizia o poeta, eis que é exatamente a cantriz Elba Ramalho quem puxa à reflexão sobre a realidade do São João no Nordeste na temática fundamental que é a estruturação musical nos diversos espaços oferecidos ao público.
Elba vai no foco da questão: o formato apresentado pelos diferentes patrocinadores, na essência as prefeituras, deveria ser carimbado como Festival e não como São João na essência.
A artista com conhecimento de causa ao longo de seus 72 anos de estrada e muito sucesso expõe outro grave problema, além da inserção desproporcional de artistas de variedades desconformes ao São João, que é a morte morrida do ponto-de-vista exposicional do forró pé-de-serra para o grande publico.
A rigor, Elba não se apresenta saudosista, não, e assume bandeira de luta sem a qual os festejos juninos passam a ser caracterizados pela exposição de gêneros musicais inteiramente fora da cultura popular, a exemplo do que ela citou no caso Alok – artista a merecer seu respeito, mas nem por isso a crítica pela inadequação junina.
Se reparar bem, tudo isso é fruto de acordos comerciais e de muita grana nutrindo negócios às escondidas porque, como contraponto ao nosso “São João” é impossível ter música fora do Sertanejo no evento de Barretos/SP ou de muitos outros de Goiás.
Seja como for, ainda bem que há quem grite e reclame em favor do forró pé-de-serra.
Última
“Eu fui feliz lá no Bodocongó/ no meu barquinho de um remo só”